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Title
Carla Freitas (filha primogênita)
Description
Rocha Neto, Ivan. Lynaldo Cavalcanti além das palavras / Ivan Rocha Neto - Brasília : Paralelo 15, 2010 ISBN: 978-85-86315-63-3
Texto longo
Meu pai tão amado! Nunca esteve longe de mim. Permaneceu sempre aqui, no meu coração.
Uma das primeiras coisas que lembro e que me acompanhou por toda a vida foram as suas palavras, tão carinhosas, delicada e deliciosamente pronunciadas:
“No centenário de Campina, Papai do Céu me deu uma menina”.
E quanto significado tiveram essas palavrinhas! Eu era a sua menina, a única, no meio de três filhos homens. E, assim, fazia ele com que me sentisse única.
Quando penso no meu pai, meu coração se enche de alegria, de amor, de carinho e de orgulho, muito orgulho. Dele, só vêm sentimentos bons.
O seu retrato é somente de carinho, e de serenidade – traços que, tenho certeza, foram herdados da sua mãezinha linda, minha avó querida.
Como me sentia feliz por saber que ele era meu pai. Como era fácil homenageá-lo nas datas festivas e colocar em um cartão de aniversário ou dia dos pais, todo esse sentimento. Todos os cartões que abria pareciam “encaixar” naquele perfil ideal de pai, aquele normalmente escrito nesse tipo de cartão. Era o seu perfil ali exposto.
E, hoje, vejo-me aqui escrevendo sobre ele, uma pessoa tão maravilhosa.
Como me sinto honrada! Honrada por tê-lo como pai, por ter recebido essa graça divina e por estar tendo a oportunidade de falar de tudo isso. E, não pensem vocês que é tarefa fácil, não! Mas fique certo o leitor que tudo que estou escrevendo é amais pura verdade. Perguntem aos meus irmãos homens e a minha irmãzinha que nasceu depois, presentinho dos céus, e vocês escutarão
que é unânime esse sentimento. Crescemos tendo-o como um grande exemplo a ser seguido. Exemplo de dedicação, de empenho, de seriedade, de retidão, de desbravamento, de honradez, de correção. Um administrador por excelência, fazendo história por onde passou.
Não era apenas mais um!
Sempre se sobressaiu em tudo que fez!
E, esse foi apenas mais um dos exemplos que nos deu: sempre procurar fazer o melhor. Carrego isso comigo e sei, se é que assim se pode falar, que “herdei” essa característica. Não me conformo se não puder fazer o melhor.
Não me contento com menos. Posso até não conseguir, mas tenho que tentar e dar o melhor de mim.
Isso ele me ensinou. E, não foi preciso que falasse muito. Bastava observá-lo. E, assim, para minha felicidade, continuo observando-o!
O seu espírito pacificador tem me guiado no mesmo sentido e na mesma direção. De tanto admirá-lo, procuro pautar o meu comportamento pela sua conduta e pelo seu jeito de ser e agir.
Penso, ou melhor, tenho certeza, que só ganhei com isso. Meus três filhos reforçam isso em mim em todos os momentos. Sei que sentem que estou junto com eles e pronta para estender-lhes as mãos, quando e se precisarem.
Dos três, já ouvi comentários sobre o avô tão especial. Não me esqueço quando
o meu filho Daniel, falou-me que queria ser como ele. Em suas palavras, “amado e querido por todos”. Também não me esqueço quando a minha filha Mariana falou-me de como “enxergava” os homens, de uma maneira geral, e como para ela, a única exceção era o meu pai, o seu avô, “um homem bom”. A minha filha caçula, Luciana, então, nem se fala. Seu olhar se
enche de emoção quando olha para ele. Em breve, estará se formando em jornalismo. Seu primeiro estágio foi ao lado dele, que fez questão de incentivá-la, convidando-a para estagiar quando ainda estava no meio do curso, remunerando-a do seu próprio bolso.
Lembro-me, ainda, de como se preocupava com os nossos estudos. Sempre nos dizia que com educação e saúde não se devia economizar. Quanto orgulho tinha do nosso desempenho! Quanto orgulho e satisfação eu tinha de levar-lhe o meu boletim. Via nos seus olhos a felicidade que lhe trazia. Sentia-me regozijada e deveras recompensada.
Quando fui fazer o vestibular, lembro também que me sugeriu alguns cursos, como química, nutrição e psicologia. Optei, na época, por psicologia.
Casei-me muito cedo e, lembro-me de sua preocupação para que eu continuasse estudando. Formei-me alguns anos depois e sei do orgulho que sentiu por isso. Atualmente, estou fazendo o curso de direito. Persigo um sonho de muitos anos e sei que vou conseguir, pois essa é uma das lições que meu pai me deu. Como homem dinâmico e trabalhador que sempre foi e continua
sendo! O seu trabalho sempre foi a sua maior motivação. Dedicava-se de corpo e alma! Penso que por isso sempre se destacou. Como diretor-adjunto do DAU, como reitor da UFPB, como presidente do CNPq, como consultor em assuntos de ciência e tecnologia e, principalmente, como Pai.
É por tudo isso e por mais um pouco ou por mais um tanto, que estou a escrever, com o coração exultando de alegria e orgulho.
Peço a Deus que continue nos concedendo a graça de tê-lo ao nosso lado por muitos e muitos anos, para que possamos usufruir e desfrutar dessa bênção de tê-lo como pai e avô.
E, para terminar, deixo-lhe aqui algumas palavras carregadas de emoção:
Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar...